Colecionadora de 82 anos quer que obras de acervo pessoal “encontrem novos lares”

A filósofa de 82 anos expõe acervo com mais de 60 obras de artistas de MT, na Casa do Parque

Com o mesmo olhar humanitário e social de 40 anos atrás, quando começou a adquirir as primeiras obras, a colecionadora e professora Clara Magalhães de Siqueira Batistella, que completa 83 anos neste mês de maio, compartilha uma parte do seu valoroso acervo.


A exposição “Etéreo”, que será aberta às 19h da próxima quinta-feira (09), reunirá mais de 60 obras na Casa do Parque, em Cuiabá (MT).


Todas são assinadas por artistas mato-grossenses como Humberto Espíndola, Dalva de Barros, João Sebastião, Adir Sodré, Nilson Pimenta, Gervane de Paula, Jonas Barros, Vitória Basaia, Maurílio Barcelos e ainda outros.


A maior parte das pinturas expostas são resultado de diálogos e visitas da colecionadora e seu marido nos ateliês de cada um deles.


“Quero que sejam vendidas a preço de ateliê para que encontrem novos lares”, afirma a colecionadora, ressaltando que as obras foram motivo de muita alegria para o casal ao longo desses quarenta anos.


“Inúmeras vezes me deitava no sofá para ficar contemplando, maravilhada, as telas, viajando através delas. Agora quero compartilhar esta vista com outras pessoas”, completa.Clarita, como é conhecida, externa a generosidade de um colecionador ao se desprender do seu acervo.


“Em ‘Etéreo’, a grande máxima da exposição é exatamente poder partilhar com o público de uma maneira geral, o olhar gentil e atencioso de uma filósofa de oitenta e dois anos de idade que dedicou toda a sua vida à educação, arte e cultura”, observa Willian Gama, curador da exposição.


“Filha de Cuiabá”


A professora Clarita conta que é “filha” de Cuiabá, mas que cresceu em Corumbá e passou vários anos de sua vida no Rio de Janeiro e em São Paulo, cidades onde começou a adquirir as primeiras obras.“Logo após a fundação da Universidade Federal de Mato Grosso, vim passar as férias aqui e acabei sendo convidada pelo reitor Gabriel Novis Neves para retornar a Cuiabá.


Naquela época a UFMT enfrentava dificuldades para contratar professores e os salários eram bastante atrativos. Aceitei a proposta e fiquei entre São Paulo e Cuiabá até que em 1977 me mudei definitivamente”.


A professora Clarita trouxe vários trabalhos de artistas do Rio e de São Paulo. Aqui chegando, se encantou com a arte local.“Voltei respirando pelo inconsciente, com um novo olhar, um olhar de uma pessoa culta, suficientemente viajada, e quando cheguei despertou em mim um amor enorme pela arte local. O São Gonçalo Beira Rio me encheu a alma de beleza”, relata.


Na UFMT, pôde acompanhar de perto o grande movimento artístico que dali ecoava no circuito mundial de arte. Era o princípio das ações da professora e crítica de arte Aline Figueiredo (de quem Clarita foi Aluna no ensino médio) e de Humberto Espindola.


Foi o instante do surgimento da ideia para criação de um Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (MACP-UFMT), quando os consagrados artistas mato-grossenses de hoje ainda eram jovens garotos começando o seu percurso.


Humanitária


Clarita faz questão de deixar claro que sua paixão pela arte não está totalmente relacionada aos títulos que adquiriu ao longo de sua carreira profissional.


“Tem gente que mexe com literatura e gosta de filosofia. Quem tem a profundidade em qualquer das áreas humanas e sociais é uma cabeça que se abre para outras áreas, não é uma mecânica de um motor só.


Mas, quem disse que tem muro para o conhecimento? O que eu possuo é o espírito buscador e aqui eu fiquei encantada com a arte local”.Para além do encantamento, a colecionadora sempre cultivou o lado social e humanitário das artes plásticas.


“Eu não apenas fui adquirindo obras dos artistas daqui, mas visitava os ateliês, matinha contato direto com eles e com suas realidades. E meu marido abraçou tudo isso junto comigo”.Flávia Salem, idealizadora da Casa do Parque, comemora a nova exposição.


“Etéreo vem no mês em que a Casa do Parque completa sete anos de fundação e os frequentadores é que receberão o presente. Um presente imaterial que é o acervo construído pelo olhar sensível de Clarita Batistella ao longo de quarenta anos. Sem dúvida, um grande privilégio”.


Clarita conta que já esteve na Casa do Parque para exposição de artes e mais recentemente para assistir a apresentação do pianista Pedro Calhao. Quando vivo, meu marido reencontrou vários amigos na Casa do Parque. Então, esta exposição será mais um desses gratos encontros”, define a colecionadora.































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