Lígia Borges: primeira prefeita eleita de MT- Por Neila Barreto



Natural do distrito de Bauxi, em Rosário Oeste, distante a 105 km de Cuiabá, Lígia Borges de Figueiredo nasceu a 01 de março de 1904. Casada com José Maria de Figueiredo, um dos intendentes do município, conhecido como “Nhajú”, seu grande companheiro na administração municipal.


É filha do Cel. Artur de Campos Borges, também, Intendente nomeado, e Mariana de Moraes Borges. Artur de Campos ou Artur de Campos Borges, advém do Engenho Araras, em Rosário Oeste. Homem atuante na política, no comércio e na indústria de Mato Grosso. Casou-se com Marianna de Moraes Borges, filha do comendador Gabriel de Moraes e Souza e Marianna Alves de Moraes, mais conhecido como Gabriel das Araras, filho do capitão João de Moraes e Souza e de Luiza da Silva Moraes.


Ligia Borges foi eleita ao cargo de prefeita municipal de Rosário Oeste, nas eleições de 1946, aos 42 anos de idade e tomou posse em 1947, concluindo a sua gestão municipal em 1950.


Foi a primeira mulher a comandar a construção de uma usina hidrelétrica em Mato Grosso e no Brasil. Hábil, com o apoio de grandes políticos do PSD – Partido Social Democrata, seguiu com os olhos brilhantes às obras da Usina Tombador, numa queda do rio Serragem, no município de Nobres-MT, para o abastecimento de energia elétrica em Rosário Oeste e Nobres, no final da década de 40.


Conforme o depoimento de Aracy Canavarros Modesto, viúva de Paulo Modesto, na biografia sobre Sarita Baracat, “a princípio, o candidato a prefeito de Rosário Oeste seria o senhor Serra, porém, uma semana antes da eleição os integrantes do partido viram que ele iria perder, e convidaram Lígia para ser candidata e ela aceitou. Seu opositor foi Paulo Modesto, que a partir daí não fez mais campanha, uma vez que Lígia era tia da sua esposa”.


Ligia Borges recebeu o diploma do Serviço Eleitoral em 14 de novembro de 1947, no qual constava sua eleição para a Prefeitura Municipal de Rosário Oeste, com 451 votos, enquanto seu concorrente, Paulo da Silva Modesto, da velha União Democrática Nacional - UDN, obteve 161 votos.


Muitos relatos afirmam ter sido Lígia Borges a primeira prefeita do Brasil. No entanto, as documentações oficiais trazem a afirmação que, a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina foi Luíza Alzira Soriano Teixeira, viúva, potiguar, que tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1929, aos 32 anos, nas eleições para a prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano - PR - e venceu com 60% dos votos, quando as mulheres nem sequer podiam votar. Mas foi pouco tempo de administração, apenas sete meses. Com a Revolução de 1930, Alzira Soriano perdeu o seu mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas. A responsável pela indicação de Alzira como candidata à Prefeitura de Lajes foi a advogada feminista Bertha Lutz, uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil.


A administração de Alzira Soriano à frente da Prefeitura de Lajes resultou na construção de novas estradas, como a que fazia a ligação entre os municípios de Cachoeira do Sapo e Jardim de Angicos. Ela também construiu mercados públicos distritais, fez escolas e cuidou da iluminação pública a motor. Somente com a redemocratização, em 1945, Alzira Soriano voltou à vida pública, como vereadora do município de Jardim de Angicos, onde nasceu. Foi eleita por mais duas vezes consecutivas, liderando a União Democrática Nacional (UDN). Chegou à Presidência da Câmara de Vereadores mais de uma vez. Aos 67 anos, Alzira morreu em 28 de maio de 1963, por complicações de um câncer.


Em memórias de relato sobre a história da energia elétrica em Mato Grosso, encontramos Ermelino Nunes da Silva que diz: “(...) Comecei a trabalhar na Usina do Tombador em 1959. Por qualquer problema na usina, ele tinha que andar dois quilômetros no mato e esperar quase impossível carona para romper os 28 quilômetros até Rosário Oeste. (...) Pior destino tinha o guarda-linhas, Oscar Winckel, que era obrigado a fazer este percurso, mas a pé e sob a rede, procurando defeito e reparando-o.


No período da sua administração municipal em Rosário Oeste, Lígia Borges obteve apoio de João Ponce de Arruda, Filinto Muller e do engenheiro Alberto Addor.

Destacamos as seguintes obras realizadas em sua administração: Usina Hidroelétrica do Tombador; doação de terreno para a construção do Hospital do Amparo; doação de área de 150 hectares para construção do Posto Agropecuário do Ministério da Agricultura, depois EMPA; Perfurou poços de água para abastecer a população, construiu pontes sobre os rios e riachos; Cuidou dos gramados para a prática do futebol, onde deram bons jogos naquela cidade.


Pioneira do serviço social, costumava visitar casa por casa ouvindo a população sobre as suas necessidades, desejos e, dentro do possível, atendendo-os. Além disso, a população confiava tanto nela que, ao dirigir até a sua residência informando as dores que sentiam, saiam de lá com um copinho de água, tampado e, dentro dele, doses de homeopatias para a cura das reclamações. “Eu fui uma dessas pessoas. Pequena, ainda, costumava buscar a homeopatia para os meus pais, avós e tias”.


Atuante, se destacou na política nacional, não só por ser mulher, mas pelo seu dinamismo e iniciativas. É mãe de Edson Borges de Figueiredo, Wilson Borges de Figueiredo, Darcy Borges de Figueiredo e Milton Borges de Figueiredo, que também, foi prefeito de Rosário Oeste, por dois mandatos (1967 a 1970 e de 1973 a 1976), falecido em 28 de abril de 2014 e, avó da arquiteta Adriana Bussiki de Figueiredo Santos e da dra. Darlene Borges de Figueiredo, entre outros.

Lígia Borges de Figueiredo faleceu a 05 de outubro de 1990.


(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias.

E-mail: neila.barreto@hotmail.com




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