Cuiabá 300: A melhor história de Cuiabá será contada em sala de aula

Projeto de Lei que tramita na CCJ da Câmara de Vereadores prevê obrigatoriedade do ensino de História, Geografia e Literatura Regional como objeto de construção cultural para crianças e adolescentes

No ano em que a capital de Mato Grosso completa os seus 300 anos, uma nova página no ensino público de Cuiabá começa a ser escrita para corrigir uma distorção secular, justifica a proposta de Projeto de Lei que prevê a obrigatoriedade do ensino das disciplinas de História, Geografia e Literatura Regional nas escolas de 1º grau que funcionam em Cuiabá.


O ensino se restringirá a noções em complemento ao conteúdo geral que já é aplicado e, no caso da literatura, como suporte para interpretação e produção de texto.


Se aprovado em plenário e sancionado pelo prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB), a Secretaria Municipal de Educação ficará responsável por baixar as normas e programas básicos para a inclusão das três disciplinas no currículo escolar a partir de 2020.


“A proposta que apresentei pretende mudar a narrativa de um passado morto para uma história viva. Dessa forma, as escolas vão produzir um conhecimento que nenhuma outra ciência produz”, disse Toninho de Souza

O autor da proposta que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, vereador Toninho de Souza (PSD), diz que não se trata de reinventar o que já existe, mas uma forma de aflorar o específico, o próprio, o particular.




“Há pelo menos quatro décadas que a história deixou de ser vista como algo imutável não apenas aqui, mas no mundo. Hoje sabemos que é uma construção sujeita a variações, tanto no tempo quanto no espaço.


E está aí na nossa cara, em cada esquina, em cada casarão, nos novos bairros, no cotidiano da cidade. Ensinar história não é enxergar apenas o passado. Vivemos e respiramos a nossa saga, no entanto, é preciso criar a cultura do apaixonar-se por ela. E isso começa com nossas crianças na sala de aula”, exemplifica o parlamentar.


João Carlos Vicente Ferreira é historiador, escritor e membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML).



Ele recebeu a proposta com certa euforia, já que desde os anos 1980 tenta-se implantar a mesma ideia na Rede Estadual de Ensino. “É preciso vontade política”, analisou.


Autor do livro ‘Mato Grosso e Seus Municípios’, que virou ícone na historicidade regional, ele diz que é preciso absorver o melhor da noção tradicional da narrativa histórica, mas é preciso, também, partir para uma educação plural e mais dinâmica.


“Falamos muito das datas e fatos de grande repercussão nacional e, ao mesmo tempo, criamos os excluídos da nossa história local. Essa proposta dará visibilidade aos nossos personagens de antes e de agora.


Já sobre o cotidiano histórico diário, o desafio é ainda maior. É por meio dele que faremos uma criança andar pelo centro da cidade e sentir amor por ela”, observa.


“Se aprovada e sancionada, a lei será uma das mais importantes dos últimos anos”, defende Ramon Carlini, da Editora Carlini & Caniato.




“Estou trabalhando na 4ª edição do livro História de Mato Grosso – Ensino Médio e Concursos, de Else Cavalcante, e sei o quanto é importante essa proposta do Toninho de Souza”.


Ramon acredita que a cidade terá mais cidadania se as pessoas olharem para as ruas e seus monumentos, além de outros ícones, e saberem contar a sua história.


“Esse projeto, certamente, fará com que o aluno produza uma reflexão de natureza crítica que o encaminhe para outras reflexões, de natureza semelhante, na sua vida e não só na escola”, completou Elaine Caniato.


“Essa proposta é de fundamental importância.


É uma demanda antiga dos intelectuais mato-grossenses o ensino de disciplinas regionais em sala de aula. Estudar a própria cultura é uma postura política afirmativa que busca a identidade, busca resistir à descaracterização.


Nesses 300 anos, não há ação mais importante do que ensinar ao povo a própria história”, avaliou Eduardo Mahon, membro da AML e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT).




Autor de 10 livros, Mahon também defende o ensino de história e literatura regional como ferramenta de cidadania.


“Se ensinamos nossos jovens a gostar da nossa história, refleti-la e a produzir textos sobre ela, estaremos formatando cidadãos comprometidos com a cidade”, concluiu.


Quem também entrou nessa discussão foi a escritora Elizabeth Madureira, presidente do IHGMT e membro da AML.




De acordo com ela, a proposta do vereador Toninho de Souza é extremamente louvável, visto que na era da globalização o regional e o local andam bem obscurecidos.


“O importante agora e regulamentá-la para que passe a ser de conhecimento das escolas e elas possam conhecer o material disponível, optando sobre o que seria mais adequado”.


Além de apoiar a medida, Elizabeth Madureira colocou o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso a disposição para os encaminhamentos futuros relacionados ao ensino de história em Cuiabá.


“Saúdo o vereador Toninho de Souza por essa relevante iniciativa”, completou. “A proposta que apresentei pretende mudar a narrativa de um passado morto para uma história viva.


Dessa forma, as escolas vão produzir um conhecimento que nenhuma outra ciência produz. Isso é fundamental para a vida individual ou coletiva”, finalizou Toninho de Souza.


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