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INSPIRAÇÃO NO PANTANAL: "Para onde eu olho, vejo um quadro", diz artista plástico de MT

Júlio César, de 46 anos, pinta elementos da fauna e flora de Mato Grosso desde os 12

Pássaros, onça-pintada, macacos, tartarugas, jacarés e a vegetação pantaneira são a inspiração e o objeto do artista plástico Júlio César, de 46 anos.


Ele iniciou na pintura em 1983, aos 12 anos, em um ateliê de artes que funcionava na Biblioteca da Universidade Federal de Mato Grosso, por orientação do artista plástico e desenhista Nilson Pimenta.


Adolescente, ele foi convidado para trabalhar no local e lá arrumou refúgio da realidade que vivia no Bairro Pedregal. Colhendo resto de tinta a óleo utilizada pelos artistas que trabalhavam no local, Júlio passou a desenvolver sua arte, que tornou-se um novo ofício.


“Com 12 anos fiz meu primeiro quadro e já vendi. Esse quadro tinha uma temática do Pantanal, com umas garças, e tudo pintado com tinta a óleo”, disse, em entrevista ao MidiaNews.


Com o tempo e o talento visto e reconhecido por artistas mais experientes, o ainda artista-mirim foi ganhando materiais e deixando os restos de tintas para trás.


“O pessoal falava: 'Vamos dar o material para esse menino, ele cata resto de tinta para trabalhar'. E eu fui ganhando pano, tinta, pincel... E isso foi me animando”, relembrou.


Com a venda da primeira obra e o retorno financeiro, a animação tomou conta do jovem artista, que persistiu trabalhando com seu dom que, segundo ele, vem de Deus.


As cores fortes e os traços únicos chamaram a atenção do artista plástico e desenhista Adir Sodré, que convidou Júlio para trabalhar junto com ele em seu ateliê.


“Ele falou: 'Vamos apostar as fichas nesse menino. Esse cara tem o dom'. O Adir é uma pessoa muito focada. No início, ele me chamou para trabalhar no ateliê dele. Disse: 'Ao invés de ficar aqui na UFMT, fica no meu ateliê. Você cuida dele enquanto eu sair e eu vou te ajudando'”, recordou o artista.


Obras no exterior


Trabalhando com Adir Sodré – artista então já reconhecido na cena artística de Mato Grosso - , Júlio foi notado por Mário Euripe, à época marchand (profissional que negocia obras de arte) do Adir Sodré.


“A minha pintura era bruta ainda e o pessoal de fora gostava. Eles ficaram encantados e o embaixador da França, na época, disse: 'Traz [as obras] aqui que eu quero o trabalho desse menino'”, conta o artista.


As pinturas de Júlio, então, foram parar na embaixada do Brasil em dois países: França e na Alemanha.


Com dinheiro da venda dos quadros para os amantes da arte no exterior, Júlio conquistou seus primeiros materiais comprados com o próprio suor.


“Com esses quadros, eu fui ganhando gosto pela pintura, consegui comprar meus materiais e me virar com o meu dinheiro”, afirmou.


Cores de Júlio César


A técnica usada pelo artista foi sendo modificada com o tempo. Ele abandonou a tinta a óleo, que o iniciou na pintura, e passou a usar a tinta acrílica.


Júlio explica que a tinta a base de água facilita a execução do seu processo criativo. Com secagem rápida, ela permite que ele utilize tinta sobre tinta, sem alterar a cor e dando a profundidade necessária à pintura.


“Gosto de cores fortes, alegres. Com o tempo, percebi que a tinta a óleo não dava para trabalhar porque demora a secar. Aí, descobri a tinta acrílica, que seca rápido”, contou o artista.


Ele ainda justifica: “O meu traço é melhor com tinta acrílica, porque eu coloco tinta sobre tinta”.


O processo criativo se dá no dia a dia: uma paisagem, uma música, o silêncio, a fotografia. Tudo serve de inspiração para Júlio César


“Geralmente você pega uma tela e já [vai] captando as ideias, vão surgindo as inspirações. Para onde o artista olha, ele vê um quadro. As belezas de Mato Grosso são as que eu mais gosto de pintar. A pintura me relaxa. É coisa de Deus, porque Deus é o maior artista que existe”, disse.


“Depois que eu pinto uma tela eu penso: 'Como consegui fazer?' Mas é uma inspiração tão de longe, que nem consigo explicar”, completou.


O contraste das cores vivas e alegres utilizadas pelo artista não é abalada por momentos tristes vivenciados na vida pessoal.


“Não é fácil ser artista, é coisa de louco. No dia a dia sempre tem uma surpresa e várias barreiras. Eu entristeço, mas a obra não. Ela tem que continuar vibrando. Não pode misturar as coisas. Eu procuro não correr risco de sair do meu tema e ficar equilibrado. É preciso ser firme”, afirmou.


Serviço


Quem se interessar pelas obras do Júlio César, pode entrar em contato com o artista pelo número (65) 99284-7121.


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