DUPLA COMEMORAÇÃO: 100 ANOS DO IHGMT E 300 DE CUIABÁ

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Relevante é o papel desempenhado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso ao longo dos cem anos de existência, seja no campo da História, da Geografia ou no da preservação da memória e da cultura mato-grossense.


Reportemos a 1º de janeiro de 1919, quando das comemorações do bicentenário de fundação de Cuiabá, ocasião em que a Instituição foi criada sob a denominação de Instituto Histórico de Mato Grosso, tendo à frente o então Presidente do Estado e Arcebispo Metropolitano de Cuiabá, D. Francisco de Aquino Corrêa, que, tendo ao seu lado de uma plêiade de doze intelectuais, se responsabilizou pela instalação, aos 8 de abril do mesmo ano, daquela que, hoje, é a Instituição cultural viva, mais antiga de Mato Grosso.


Foram eles Antônio Fernandes de Souza, Carlos Gomes Borralho, Emílio Amarante Peixoto de Azevedo, Estevão de Mendonça, João Cunha, Joaquim Pereira Ferreira Mendes, José Barnabé de Mesquita, Luiz da Costa Ribeiro, Ovídio de Paula Corrêa, Philogonio de Paula Corrêa e Virgílio Alves Corrêa Filho, todos sob a liderança de D. Francisco de Aquino Corrêa, que presidiu o Instituto Histórico durante os primeiros 50 anos.


Durante 100 anos, o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, criado em 1919, tomou para si a incumbência de preservar e divulgar a memória de Mato Grosso. Ao longo desse período, não só cumpriu esse desiderato, visto a vasta produção intelectual de seus associados estampada na sua Revista, que hoje, se encontra no número 80, ou nas Publicações Avulsas, que perfazem 81. De outro, o conjunto dos sócios foi responsável por expressiva produção intelectual, impressa em periódicos regionais e nacionais, assim como em edições patrocinadas pelos próprios autores, seja no campo da História, da Geografia ou no da preservação da memória e da cultura mato-grossense.


Para comemorar condignamente o centenário da Instituição, o IHGMT projetou diversas ações, como a confecção de um Álbum Histórico, de uma Cápsula do Tempo, na qual será depositada uma amostragem da instituição nos seus primeiros 100 anos, a outorga de um Troféu para agraciar os colaboradores, organização da um Curso de História e Geografia de Mato Grosso, a ser desenvolvido no primeiro semestre de 2019, e a instituição de um Colar Centenário.


Também foram pensadas Medalhas comemorativas dos 100 anos do IHGMT e dos 300 anos de Cuiabá, cujo projeto final contou com a colaboração do arquiteto José Afonso Botura Portocarrero, de Maria Teresa Carrión Carracedo, de Maike Vanni e de Elizabeth Madureira Siqueira.




A Medalha estampará, em uma das faces, os 100 anos do IHGMT, e, no verso, os 300 anos de fundação de Cuiabá, podendo ser utilizada tanto pelo IHGMT como pela Prefeitura Municipal de Cuiabá. Essa parceria nasceu a cerca de 10 meses atrás, quando o IHGMT se incumbiu de proceder a um estudo das diversas imagens produzidas, o que foi apresentado no dia 14 de setembro de 2018, quando o projeto das medalhas foi plenamente aprovado pela Prefeitura Municipal de Cuiabá, e também pelo coletivo dos sócios do IHGMT, na reunião de 28 de setembro de 2018.



Justificando a criação da Medalha dos 300 anos de Cuiabá (1719-2019)


O Brasão Oficial de Cuiabá foi criado em Lisboa, entre 1726 e 27, quando o Arraial do Cuiabá, que à época integrava a capitania de São Paulo, foi elevado à categoria de Vila, sob a denominação de Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá. De acordo com as orientações da Coroa Portuguesa, seria o mesmo representado por um escudo dentro de um campo verde e nele um morro ou monte todo salpicado com folhetos e gravetos de ouro. Em cima do escudo, uma fênix.

O campo verde, bastante alongado, representava a fertilidade do solo, assim como remetia à distância que a novel Vila se colocava com relação ao litoral. O morrete de ouro significava a vocação primeira da região, a mineração aurífera.

Já a fênix, símbolo da infinitude, consagrava os propósitos da Coroa portuguesa em efetivar, para sempre, sua presença nessa então máxima fronteira oeste colonial, uma vez que, à época, ainda se encontrava em vigor o Tratado de Tordesilhas, o qual tinha por base demarcatória uma linha imaginária.

A criação da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá coube ao capitão-general da capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes que, no ano de 1726, saiu da Vila de São Paulo de Piratininga em direitura a Cuiabá, numa viagem que durou quatro meses, tendo como roteiro o caminho das monções. Aportou no arraial de Cuiabá em novembro do citado ano. Como essas minas abrigariam a sede do governo de São Paulo, Rodrigo César resolveu criar a Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, evento ocorrido no dia 1º de janeiro de 1727. Para ali foram transferidos diversos cargos

administrativos, nomeados ouvidor, juízes ordinários, criado e instalado o Senado da Câmara de Cuiabá, com a nomeação de seus vereadores, mas também erguido o pelourinho, símbolo do poder metropolitano na região.

Esse brasão foi utilizado desde aquele período sem qualquer regulamentação posterior, o que só veio a ocorrer em 13 de setembro de 1961, por força da Lei Municipal n. 592, assinada pelo então Prefeito Municipal de Cuiabá Aecim Tocantins, declarando que “[...] sejam as Armas, de que usasse, um escudo dentro com campo verde e nele um morro ou monte todo salpicado com folhetos e granetos de ouro e, por timbre, em cima do escudo, uma fênix”, ave mitológica nascida do fogo e que ressurge de suas próprias cinzas, representando a imortalidade”.

O brasão de Cuiabá é um dos 19 mais antigos do Brasil (Almanaque Cuyabá, n. 39)




O Símbolo do IHGMT



O Símbolo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso foi inspirado no dístico criado pelo seu primeiro presidente, D. Francisco de Aquino Corrêa: Pro Patria Cognita Atque Immortali, que traduzido significa Pela Pátria Conhecida e Imortal. Isso ocorreu no dia 8 de abril de 1919, quando D. Aquino proferiu o discurso de instalação do então denominado Instituto Histórico de Mato Grosso. O acréscimo do Geográfico foi proposto, pela primeira vez, quando o sócio fundador Antônio Fernandes de Souza, na sessão de 15 de janeiro de 1922, sugeriu a alteração do nome original para Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, sob a alegação de que a amplitude dos trabalhos do instituto mato-grossense abrangia diversas áreas de conhecimento, ali representadas pela designação geográfico, uma vez que o tempo e o espaço caminhavam sempre juntos e eram indissociáveis. Nessa mesma reunião, a propositura foi objeto de discussão, porém não foi aprovada, uma vez que implicava em modificação do Estatuto original de 1919.

Essa propositura esmoreceu e só foi retomada aos 5 de setembro de 1974, através de um abaixo-assinado de Rubens de Mendonça e Ernesto Pereira Borges, sob a alegação de que deveria acompanhar a nomenclatura do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e que desde há muito, o nosso Instituto era referenciado como Histórico e Geográfico, o que foi aprovado por unanimidade.

Para timbrar a papelaria e personificar os eventos e ações do IHGMT no ano centenário foi elaborada, pela mesma equipe, uma logomarca colorida, estampando os 100 anos da instituição.




O IHGMT está se preparando para as comemorações do seu centenário, ao lado da Prefeitura nos 300 anos de fundação de Cuiabá. Para isso, será preciso o empenho e a colaboração de todos os sócios e parceiros, uma vez que chegar aos 100 anos de ininterrupta existência demandou esforço cívico de muitas gerações.


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