Encontro literário na UFMT recebe os escritores Cidinha da Silva e André Sant’anna na próxima terça

Os autores discorrerão sobre sua trajetória e obras, principalmente sobre os livros ‘Sobreviventes (2016)’ e ‘O Brasil é bom (2014)’

O projeto de fruição literária que envolve a circulação de escritores por diversas cidades do Brasil, “Arte da Palavra”, elaborado pelo Sesc, realiza sua segunda edição na próxima terça-feira (25). O evento receberá os escritores Cidinha da Silva e André Sant’anna, a partir das 19h30, no auditório M do Instituto de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso (IL/UFMT).

O encontro terá mediação da professora Divanize Carbonieri, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem (PPGEL), é aberto ao público e não é necessária inscrição. Na ocasião, os autores discorrerão sobre sua trajetória e obras, principalmente sobre os livros ‘Sobreviventes (2016)’ de Cidinha da Silva e ‘O Brasil é bom (2014)’ de André Sant’anna.

Cidinha da Silva é prosadora e dramaturga. ‘Sobreviventes (2016)’ é o nono livro de uma carreira literária iniciada em 2006. Organizou também duas obras coletivas. A primeira, sobre ações afirmativas para pessoas negras na área educacional, em 2003, quando o debate sobre o tema ainda era incipiente.

Em 2014, também lançou Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, livro organizado no período em que atuou como gestora pública de cultura em órgão do governo federal.


André Sant’anna nasceu em 1964, em Belo Horizonte, e hoje vive em São Paulo. Considerado um dos maiores talentos da literatura brasileira contemporânea, é autor dos livros O paraíso é bem bacana (2006), Sexo e amizade (2007) e O Brasil é bom (2014), entre outros. Além de escritor, é roteirista, publicitário e músico.

Em Mato Grosso, o projeto conta com uma parceria entre o Serviço Social do Comércio do Estado (Sesc-MT), o PPGEL e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Em 2017, houve três edições do projeto. E, em 2018, houve uma edição anterior, com os autores Joca Reiners Terron e Douglas Diegues.


As obras

‘Sobreviventes (2016)’, de Cidinha da Silva, é um livro de crônicas contundentes sobre pessoas que muitas vezes são tornadas invisíveis ao olhar de uma sociedade de traços racistas e preconceituosos. “Situações cotidianas colocadas em nossa cara como retrato feio de nós mesmos. Os sobreviventes combatem as dificuldades todos os dias. Precisamos falar destes viventes”, diz a sinopse.

‘O Brasil é bom (2014)’, de André Sant’anna, é uma coletânea de 22 contos que abordam a velha classe média que observa – apavorada e temerosa – a ascensão da nova classe média, o consumismo é uma epidemia nociva, o dinheiro é a única coisa que move os brasileiros e a Igreja explora os fiéis. Em “Lodaçal”, seu texto mais longo, dois garotos que vivem à margem da sociedade imaginam, em uma narrativa delirante, inúmeros futuros para si – todos interrompidos pela violência.

A metralhadora de André Sant’Anna aponta para diversos alvos: em um momento, satiriza o discurso daqueles que se consideram “cidadãos de bem” e nutrem fantasias dignas do tempo da ditadura; em outro, critica as medidas paliativas que transformaram a classe C em uma horda de consumidores, dando a eles a ilusão de que o país está melhorando e de que agora foram incluídos na sociedade.

“O resultado é uma visão pessimista e apocalíptica, que expõe os conflitos raciais e sociais do Brasil que apenas começaram a explodir”.



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